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Portugal aposta em cápsulas reutilizáveis e quer entrar na nova corrida espacial europeia

redacao by redacao
27/05/2026
in Últimas Notícias
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Portugal aposta em cápsulas reutilizáveis e quer entrar na nova corrida espacial europeia
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Primeiro pouso na água na UE deverá ser da cápsula de transporte Phoenix, da empresa alemã Atmos Space Cargo.
Atmos
Foguetes lançados a partir dos Açores transportam satélites construídos em Portugal para o espaço; suas cápsulas espaciais reutilizáveis retornam ao Oceano Atlântico, próximo ao arquipélago. Um sonho? Por enquanto, sim, mas em breve se tornará realidade – pelo menos em parte.
Portugal quer se tornar uma grande nação espacial. O país aposta em seus engenheiros altamente qualificados, na cooperação europeia e numa pequena ilha.
“Portugal se modernizou significativamente nos últimos 20 anos. Nossas universidades formam engenheiros excepcionais. Criamos capital humano que podemos desenvolver”, explica o presidente da Agência Espacial Portuguesa (fundada em 2019), Ricardo Conde.
Cerca de duas mil pessoas altamente qualificadas trabalham no setor espacial em cerca de 80 empresas que geraram 200 milhões de euros (R$ 1,1 bilhão) em receitas no ano passado. Este ano serão muito mais. Tudo isso, explica Conde, “porque temos mais uma carta na manga: os Açores.”
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Base de lançamento nos Açores
Um porto espacial português está em construção na pacata ilha de Santa Maria, no Açores. A nave de carga europeia Space Rider está prevista para aterrissar lá em 2028. Ela deverá pousar com paraquedas gigantes ao lado de uma antiga pista construída pelos americanos durante a Segunda Guerra Mundial e que hoje está praticamente sem uso.
“Está previsto que um foguete lançará um satélite sul-coreano em órbita a partir dali em 2030. Várias antenas de comunicação por satélite já operam em Santa Maria”, acrescenta Ivo Vieira, da AED Cluster Portugal, a associação da indústria espacial.
Um Cabo Canaveral português, então? “Muito menor e mais um complemento ao porto espacial europeu em Kourou, na Guiana Francesa”, explica Bruno Carvalho, da operadora do porto espacial Atlantic Spaceport Consortium (ASC). “Seremos um local de lançamento economicamente viável para foguetes menores com satélites menores. E dentro da União Europeia, o que é estrategicamente muito importante.”
E no meio do Atlântico, ou seja, em local desabitado. Isso é um fator positivo e importante para espaçonaves reutilizáveis que poderão aterrissar ali. Espera-se que 35 pessoas trabalhem no local quando tudo estiver concluído.
Trata-se de uma infraestrutura relativamente simples, que é mais barata do que a grande concorrente americana. E que utilizará recursos locais e, assim, fortalecerá a economia da ilha. “Talvez possamos até trazer de volta os jovens que deixaram a ilha”, diz Carvalho.
Primeiro pouso na água na UE
O primeiro pouso na água nos Açores está previsto para o segundo semestre de 2026. “As autoridades portuguesas aprovaram o primeiro pouso na água em território da UE para a cápsula de transporte Phoenix 2.1”, afirma a portuguesa Marta Oliveira, cofundadora da empresa alemã Atmos Space Cargo.
Marta Oliveira, da empresa alemã Atmos Space Cargo Marta Oliveira, da empresa alemã Atmos Space Cargo
Autoridades portuguesas aprovaram o primeiro pouso na água em território da UE para a cápsula de transporte da empresa alemã Atmos Space Cargo, diz cofundadora Marta OliveiraFoto: Atmos Space Cargo
O objetivo é lançar satélites ao espaço de forma econômica, através de cápsulas espaciais reutilizáveis. Atualmente, os lançamentos são feitos pela americana SpaceX. “Mas também estamos em negociações com empresas europeias.”
O pouso está previsto para o Oceano Atlântico, próximo à ilha açoriana de Santa Maria. “O porto espacial da ASC facilita a logística e coordena o contato com as autoridades locais. Isso é ideal para nós.”
Faltam apenas os próprios satélites. “Existem três centros em Portugal que deveriam fabricar satélites”, diz Conde. “Um está sendo construído pelo consórcio CEiiA no Porto, no norte do país; outro pela multinacional Open Cosmos na cidade universitária de Coimbra, região central; e um terceiro em Lisboa, que trabalha principalmente em cooperação com as Forças Armadas.”
Trata-se de satélites menores para aplicações comerciais, militares e mistas, como comunicações, observação da Terra e dos oceanos e – cada vez mais importante – combate a incêndios florestais.
Satélites pequenos, mas eficientes
O consórcio CEiiA, que também atua nos setores automotivo e aeroespacial, é um dos principais atores nessa área. “Entramos no setor espacial em 2018”, diz André Dias, responsável pela divisão de Downstream. “Nosso objetivo é construir uma indústria para satélites de alta resolução.”
Para isso está previsto outro centro nonorte de Portugal, próximo à cidade de Guimarães, em parceria com a cidade e sua universidade. “Queremos quadruplicar ou quintuplicar nossa capacidade de produção.”
Atualmente, a CEiiA consegue construir quatro satélites civis por ano, com peso de até 500 quilos. Mas a procura está em constante crescimento e, com o aumento da capacidade, Portugal poderá também atrair contratos internacionais.
A palavra de ordem é descentralização. “Das grandes potências espaciais europeias, como a Alemanha e a França, para países mais pequenos como Portugal. Trata-se de uma espécie de democratização dos voos espaciais. Estamos nos especializando em satélites menores, que custam entre 20 milhões e 30 milhões de euros, e não nos grandes, que podem custar até 500 milhões”, explica Dias.
No entanto, os planos da Agência Espacial Portuguesa estão longe de ser modestos. “Até 2030, teremos 30 satélites no espaço, alguns em cooperação com a Espanha”, projeta Conde. “Queremos atrair parceiros internacionais para o país para colaborarem, estamos nos concentrando em iniciativas europeias.” Incluindo, claro, o setor militar, que vem ganhando cada vez mais importância na Europa.



Fonte de Matéria – https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2026/05/27/portugal-aposta-em-capsulas-reutilizaveis-e-quer-entrar-na-nova-corrida-espacial-europeia.ghtml

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