Evento na próxima sexta-feira, dia 26 de junho, acontece no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos, com transmissão pelo Youtube
.
Muitos são os trabalhos realizados por pesquisadores nas universidades brasileiras. Contudo, o trabalho científico não precisa se limitar à publicação de artigos em veículos especializados. Mas como ir além da obtenção de bons resultados acadêmicos e conquistar mais impacto? Como levar os trabalhos para além das gavetas acadêmicas e ao conhecimento da população, contribuindo para a conscientização sobre o que se faz dentro dos muros da USP? Debater essas questões é um dos objetivos de uma roda de conversa que acontecerá no próximo dia 26 de junho, sexta-feira, das 16h às 18h, no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Haverá transmissão pelo Canal do ICMC TV do YouTube. O evento é aberto ao público em geral e não é preciso inscrição prévia.
Participarão da roda de conversa quatro profissionais com experiências e trajetórias distintas, que atuam em prol da comunicação pública da ciência. São eles: a jornalista Denise Casatti, analista de comunicação do ICMC; a matemática e doutoranda Julia Jaccoud, divulgadora científica por trás do perfil A Matemaníaca, com mais de 100 mil seguidores no Youtube; o professor de ciências Marcos Ferreira, bolsista de jornalismo científico em projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp); e a profissional do audiovisual Sabrina Gomes, estagiária de comunicação do ICMC que está concluindo o curso de Imagem e Som na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Motivação
A iniciativa é promovida pela área de comunicação do ICMC em parceria com o Laboratório de Engenharia de Software (LabES), sob a coordenação da professora Lina Garcés. “O ICMC abriga uma comunidade científica vibrante e diversificada, composta por inúmeros grupos de pesquisa nas áreas de computação, matemática, estatística e ciência de dados. A cada ano, são desenvolvidos projetos de iniciação científica, dissertações de mestrado, teses de doutorado, pesquisas de pós-doutorado e estudos conduzidos por pesquisadores e docentes que contribuem significativamente para o avanço do conhecimento científico e tecnológico. No entanto, em um contexto em que a ciência precisa dialogar cada vez mais com a sociedade, produzir resultados de excelência não é suficiente: é fundamental saber comunicá-los de forma clara, acessível e relevante para diferentes públicos”, explica Lina.
Segundo a professora, embora pesquisadores sejam tradicionalmente treinados para divulgar seus resultados por meio de artigos científicos, conferências e seminários acadêmicos, muitos ainda enfrentam desafios para traduzir suas descobertas para canais voltados ao público em geral. “A divulgação científica desempenha um papel essencial no fortalecimento da relação entre universidades e sociedade, promovendo maior compreensão sobre o impacto da pesquisa, ampliando a confiança nas instituições científicas e demonstrando o valor dos investimentos em ciência e educação. Nesse cenário, o letramento em divulgação científica torna-se uma competência indispensável para o cientista moderno. Aprender a comunicar a ciência em diferentes formatos e plataformas não é mais uma atividade complementar, mas parte integrante da atuação acadêmica contemporânea”, ressalta.
Nesse sentido, a roda de conversa convidará estudantes, pesquisadores e docentes a refletirem sobre os desafios da comunicação pública da ciência, incentivando o desenvolvimento de novas habilidades para ampliar o alcance e a relevância social de suas pesquisas.
A ideia do evento começou a nascer durante um encontro ocorrido no III Simpósio Brasileiro de Computação no Ensino Básico. No evento, realizado no ICMC, a estudante do bacharelado em Sistemas de Informação, Amália Melo, começou a discutir a proposta com Marcos. Amália contou que faz iniciação científica e que seu grupo de pesquisa, que une o LabES e o Laboratório de Computação Aplicada à Educação, frequentemente discute maneiras de popularizar os trabalhos desenvolvidos a fim de que cheguem ao conhecimento de uma maior parcela da população.
Conheça mais sobre os participantes
Entre os convidados para a roda de conversa estão Denise Casatti, que é formada em jornalismo pela Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP. Mestre em Ciências de Comunicação pela USP e doutora em Psicologia pela UFSCar, Denise trabalha na área de comunicação do ICMC há cerca de 13 anos, cobrindo especialmente temas das áreas de matemática e computação, mas não somente. Em 2023, Denise se especializou ainda mais na área de comunicação pública da ciência ao realizar uma capacitação no Imperial College em Londres, na Inglaterra. Durante sua trajetória, já lecionou em universidades e participou de inúmeras bancas de defesa de trabalhos acadêmicos.
Outra participante da roda de conversa é a doutoranda em matemática no ICMC, Julia Jaccoud, que além de uma bela trajetória na academia, também construiu uma carreira na divulgação científica. Nas redes sociais, ela é conhecida como a Matemaníaca e, só no YouTube, já conquistou cerca de 3,4 milhões de visualizações, sendo referência na popularização de uma área que geralmente não é abordada. Julia fez graduação no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP e, durante a graduação, realizou intercâmbio com bolsa de excelência acadêmica na Aalto University, na Finlândia. Foi professora de matemática por cerca de 5 anos após a graduação, retornando à universidade para o mestrado no Programa de Pós-Graduação em Matemática do ICMC. Hoje, após a defesa da dissertação, ela está no doutorado, e ainda atua como representante discente dos estudantes do programa.
A mais nova dentre os membros da roda de conversa é Sabrina Gomes. Com 24 anos, Sabrina já acumula experiência na comunicação da ciência, tendo realizado estágio na área de comunicação do ICMC, e foi bolsista de jornalismo científico da Fapesp. Já produziu textos, séries de vídeos e curta-metragens. Sabrina é formanda do curso de Imagem e Som da UFSCar, sendo responsável pelo atual sucesso das redes sociais do ICMC. Com seu trabalho, o Instagram do Instituto é um dos mais acessados entre todas as unidades da USP, com cerca de 24 mil seguidores e um alcance na casa dos milhões.
O quarto integrante dessa roda é Marcos Ferreira, formado em Licenciatura em Ciências Exatas pela USP, com as habilitações em Química, Física e Matemática. Durante seu mestrado na USP, Marcos estudou as desinformações científicas e como a educação em ciências pode ser uma forma de mitigá-las. Nesse período, percebeu que precisava compreender mais sobre como a mídia interage com a ciência, e se especializou no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Desde então, Marcos tem atuado como jornalista científico em projetos financiados pela FAPESP, cobrindo temas que vão desde aceleradores de partículas, como o nosso Sirius no Brasil, até a inteligência artificial. Hoje, além do doutorado na área de Ensino de Ciências na USP, ele é bolsista em projeto de jornalismo científico vinculado ao LABIC, o Laboratório de Inteligência Computacional, no ICMC, e produz conteúdos para o ICMC, para a Revista Balbúrdia e para a Revista ComCiência, da Unicamp.
Tirando pesquisas da gaveta: como comunicar resultados e impactar a sociedade
Quando: sexta-feira, dia 26 de junho, das 16 às 18 horas.
Onde: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do ICMC, na área I do campus da USP, em São Carlos.
Entrada: gratuita, aberta ao público e sem necessidade de inscrição prévia.
Transmissão pelo canal ICMC TV do YouTube
.
Texto: Marcos Vinícius Ribeiro Ferreira, bolsista de jornalismo científico Fapesp, sob supervisão de Denise Casatti, da Assessoria de Comunicação do ICMC






