Com seu formato experimental inspirado pelos fanzines punks e produzida com recursos digitais, a Revista Rasura foi idealizada por mim e é movida por diversos sujeitos do campo, que, pelo que consta em seu editorial, “insistem em rasurar a História hegemônica mal contada, recontando-a com múltiplas vozes em diálogo”. Ela integra a metodologia qualitativa crítica de meu trabalho de pesquisador, envolvendo os sujeitos do campo na elaboração de material histórico de pesquisas em curso. Essa quinta edição foi realizada em colaboração com a comunicadora Verônica Dudiman e recebeu contribuições de diverso(a)s pesquisadora(e)s latino-americana(o)s.
Há pouco mais de 40 anos, foi formalizado no Brasil o campo interdisciplinar da Educomunicação, que reúne estudo e prática voltados para o diálogo entre as áreas da comunicação e da educação. Desde então, a USP vem contribuindo de forma constante para que esse campo fortaleça, nos territórios e na web, expressões coletivas de promoção de cidadania e amplie a participação popular nos processos educativos e de comunicação social.
Destaca-se nesse processo o trabalho do professor Ismar Soares, do Núcleo de Comunicação e Educação (NCE) da Escola de Comunicações e Artes da USP, criado em 1996. Soares e sua equipe sistematizaram o conceito moderno de Educomunicação a partir do final dos anos 1990, definindo-o como um componente do processo educativo e como elemento de gestão de ecossistemas comunicativos abertos e democráticos, comprometidos com um modo dialógico de interação do agir.
Embora o diálogo entre comunicação e educação ocorra em escala global, podemos dizer que a Educomunicação é um campo eminente latino-americano. Ela nasce das entranhas das contradições sociais e das lutas democráticas da América Latina e sempre se mostrou como uma paradigma para a educação midiática, para a gestão democrática da mídia, para produção de conteúdos educativos e críticos e para o uso de diversas formas de mídia em processos de ensino-aprendizagem.
Sua base conceitual está profundamente ancorada na Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, e também foram nomes fundamentais para dar corpo científico à Educomunicação os filósofos da comunicação Mario Kaplún (Argentina) e Jesus Martín-Barbero (Colômbia). Kaplún criou o termo “Educomunicação”.
Desse modo, a Revista Rasura, é uma aposta editorial para demonstrar na prática educomunicativa uma possibilidade de divulgação e compartilhamento desse conjunto de conhecimentos – populares, científicos e eminentemente emancipatórios – em torno dos movimentos populares latino-americanos.
Atualmente, a Revista Rasura já se encontra na produção de sua sexta edição, com previsão de lançamento em agosto de 2026. De forma geral, a publicação aborda temas ligados à cultura, educação, direitos humanos, movimentos sociais, territórios e políticas públicas. Seu objetivo passa pelo compromisso em gerar e compartilhar conhecimento, estimulando as diversidades, o pensamento crítico, a colaboração e a sensibilidade.
Sob o nome “Rasura”, a publicação faz do ato de riscar e reescrever uma metáfora de combate à violência epistêmica. A revista se apresenta como um contragolpe poético e político, onde cada texto e cada visualidade atuam contra o silenciamento e o apagamento históricos. Rasurar, neste contexto, significa afirmar – com múltiplas vozes – novas críticas e proposições que abram caminho para uma forma libertadora de se pensar/construir a ciência, a cultura e a política.
A publicação da revista foi apresentada por estudantes como trabalho de conclusão do curso de extensão Educação, Cultura e Trabalho na América Latina: História, Movimentos, Resistências e Proposições – 5ª edição – 2026, oferecida pelo Núcleo de Avaliação Institucional da Faculdade de Educação da USP (NAI-FEUSP) em parceria com o PROLAM – Programa de Pós-Graduação Integração da América Latina.
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