A professora Nádia Gotlib pede a atenção do vestibulando. E orienta: “Trata-se de uma obra que se destaca não apenas pelo conteúdo relacionado à paixão, que é um tema que aborda questões filosóficas ligados à existência, religiosas, que trazem o sagrado e o profano, e eróticas que abordam as relações sexuais”.
A professora, porém, salienta: “É importante observar, principalmente, a forma como esse repertório é construído, evidenciando suas qualidades estéticas. E entre tais recursos, ressalto o das imagens. Exemplo: como a personagem G.H. passa a perceber quem é Janair. E não mais como antes, um vulto sem formas a seu serviço, mas como uma mulher com nome, rosto, de glorioso passado cultural, uma ‘rainha africana’, remontando, assim, à grandeza de uma ancestralidade destruída pelo sistema”.
A cada um dos 33 fragmentos da narrativa, a professora atenta que o estudante/leitor deve observar que surge um novo e surpreendente conjunto de detalhes. “Detalhes que levam a um imaginário construído, ao mesmo tempo, em linguagem simples, ou seja, o vestibulando nem vai precisar recorrer ao dicionário, e sofisticado, pela rede rica de relações entre palavras, objetos, experimentações e imagens poderosas.”

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