A colunista fala esta semana sobre “Uma Bibliografia do Marxismo no Brasil – Dos Primórdios a 1968”, de Dainis Karepovs, publicado pela Ateliê Editorial
Em sua coluna desta semana, a professora Marisa Midori traz uma importante e instigante novidade editorial. “Hoje eu gostaria de apresentar para os nossos ouvintes o trabalho que Dainis Karepovs acaba de publicar, pela Ateliê Editorial. Refiro-me a Uma Bibliografia do Marxismo no Brasil – Dos Primórdios a 1968. Como o título indica, de modo inequívoco, o gênero é uma bibliografia, ou seja, um catálogo de obras reunidas em torno de determinado assunto. Por esse motivo, já podemos dizer que se trata de uma edição valorosa e rara”, afirma a colunista. “Estamos acostumados – e nos acostumamos muito rapidamente a isso – a fazer todo tipo de pesquisa na internet. Até mesmo os catálogos virtuais das bibliotecas foram deixados para segundo plano, pois tudo passa pelos motores de busca comerciais, que dominam as telas de nossos computadores. Porém, essas informações foram e vêm sendo geradas a custa de muita pesquisa humana”, continua a professora. “Catálogos bibliográficos são tão antigos quanto as bibliotecas, bastando pensar que um dos mais emblemáticos nasceu em Alexandria, na Antiguidade. E eles apresentam aquilo que nossos computadores não podem nos oferecer: uma visão da totalidade”, garante Marisa Midori.
Na coluna, a professora lembrou, a partir do alentado livro de Karepovs, o número de títulos publicados sobre o marxismo no Brasil e em que épocas eles foram mais editados ou não. “O trabalho publicado por Karepovs toma como ponto de partida obra quase homônima e precursora de Edgard Carone, O Marxismo no Brasil. Das Origens a 1964, publicada em 1984. Obra corajosa, editada na época da abertura política, mas que reunia, como o historiador alerta no título, livros de esquerda publicados no País até a ruptura do Estado democrático provocada pela ditadura civil-militar”, explica a professora. “Além disso, Carone cataloga e sistematiza os títulos colecionados por ele mesmo, desde a ditadura do Estado Novo até o regime de exceção implantado em 1964. Dainis Karepovs reaviva o debate sobre as consequências do golpe militar para a produção e comercialização de obras de esquerda, ao deslocar a ruptura de 1964 para 1968, quando da instituição do AI-5”, contextualiza ela. “São muitas as histórias que envolvem essas duas bibliografias realizadas por dois grandes bibliófilos de esquerda. Sem dúvida, a obra de Dainis Karepovs já nasce um clássico”, finaliza a professora Marisa Midori.
Bibliomania
Com a Profª. Marisa Midori
A coluna Bibliomania, com a professora Marisa Midori, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.








