Não só o Peru está em clima de eleições, o mesmo acontece na Colômbia, onde serão decididas em segundo turno. De um lado, o da esquerda, está o candidato Iván Cepeda, uma das principais lideranças progressistas da Colômbia e herdeiro político da base do atual presidente Gustavo Petro. Ele integra a coligação de esquerda Pacto Histórico e é conhecido por sua forte atuação como defensor dos direitos humanos, conciliando pautas de justiça social com a consolidação dos acordos de paz. De outro lado, o da ultradireita, está Abelardo de La Espriella, um dos principais nomes da direita e extrema-direita na América Latina. Advogado, escritor e empresário, ele lidera o movimento político Defensores da Pátria e é simpatizante de Donald Trump e do presidente Nayib Bukele, de El Salvador.
O primeiro turno marcado por tensões, os dois voltam a se enfrentar em segundo turno, no próximo dia 21. No primeiro turno, la Espriella chegou na frente, com 43% dos votos contra os 40% dados a Cepeda. ” A Colômbia parece seguir o mesmo caminho: esquerda versus direita e margens apertadas. Vale a mesma lógica do Peru. Mas alinhamento aos EUA é pior para o Brasil, como a direita no continente enaltece Trump, pode ser um desafio maior na região para um eventual quarto mandato de Lula”, avalia Feliú, opinião compartilhada por Dallari, que chama a atenção para o equilíbrio entre os candidatos e para a pequena diferença de apenas 3% que os separou no primeiro turno. “A dúvida é saber até que ponto a vitória de um dos candidatos – da esquerda ou da direita – no Peru pode influenciar ou não a eleição colombiana – embora obviamente cada país tenha uma dinâmica própria, há elementos comuns entre eles, como evidencia esse quadro de polarização”.
Rafael Villa concorda que os cenários de Peru e Colômbia são semelhantes, mas admite, por outro lado, que as realidade entre ambos é diferente. Ele não descarta um cenário de violência na Colômbia. “No caso do Peru, ganhe Keiko ou ganhe Sánchez, isso pode não gerar tanta violência política ou modificações sociais, porque tudo tende a se resolver institucionalmente no Congresso, que acaba destituindo o presidente, como tem acontecido desde 2017, quando o país já teve mais de oito presidentes. No caso da Colômbia, o resultado pode trazer consequências mais intensas, como reflexo do aumento do nível de polarização, e a possibilidade de que um resultado muito apertado decorra em violência política tende a ser alto, com consequências sociais e políticas bastante imprevisíveis”, conclui.
Para Alberto Amaral, esse cenário apenas mostra que o Executivo colombiano terá uma dificuldade muito grande para levar a cabo o seu plano de governo. “Se houver uma diferença pequena no resultado final das eleições, uma crise de governabilidade sem dúvida ocorrerá. Caso a diferença se amplie, a possibilidade de o Executivo vitorioso na Colômbia levar a cabo o seu plano de governo tenderá, sem dúvida, a ampliar-se, mas a tendência de divisão entre os eleitores de extrema-esquerda e extrema-direita é algo cada vez mais presente na América Latina atual”.