Encontro reúne pesquisadores, gestores públicos e representantes da sociedade civil para debater prevenção, produção de dados e políticas públicas baseadas em evidências
O Seminário Internacional da Lancet Commission on Gun Violence and Global Health reunirá pesquisadores, gestores públicos e lideranças da sociedade civil para discutir estratégias de enfrentamento da violência armada em diferentes contextos sociais. Entre os temas em destaque estão o aprimoramento da coleta de dados sobre violência por armas de fogo, a prevenção de homicídios, a violência de gênero e o fortalecimento de políticas públicas baseadas em evidências científicas.
O evento, que será realizado no próximo dia 5 de agosto, é organizado pela Rede de Pesquisas em Políticas Públicas e Sociedade, em parceria com a Boston University, por meio de seu Departamento de Ciência Política, com participação do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.

Lorena Barberia, professora do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e co-líder da Lancet Commission on Gun Violence and Global Health, destaca que, atualmente, o continente americano concentra os maiores índices de homicídios por armas de fogo.
Segundo a pesquisadora, muitas dessas mortes poderiam ser evitadas por meio de políticas públicas mais eficazes, associadas a investimentos em educação e saúde.
“A gente tem cenários muito complexos, e o que este trabalho coletivo se propõe a fazer é sistematizar, olhar com rigor e entender quais são os problemas que limitam as conclusões que podemos ter sobre determinadas intervenções e o impacto que elas podem ter.”
Trabalho da Lancet Commission
As comissões da revista científica The Lancet reúnem especialistas de reconhecimento internacional para analisar problemas de relevância global e propor soluções práticas fundamentadas em evidências científicas, contribuindo para a formulação de políticas públicas.
Lorena explica que é necessário ampliar a abordagem da saúde pública para atender os grupos mais vulneráveis à violência, prevenindo mortes e lesões decorrentes do uso de armas de fogo.
Reflexões sobre violência de gênero e feminicídio
O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Uma das mesas do seminário será dedicada à violência de gênero e ao feminicídio, reunindo experiências internacionais para discutir estratégias de prevenção baseadas em evidências. Entre os destaques estão pesquisas desenvolvidas na África do Sul sobre novas formas de coleta de dados capazes de revelar casos de feminicídio ainda subnotificados, além de iniciativas realizadas em Trinidad e Tobago e no Líbano.
As discussões também abordarão os impactos da circulação de armas de fogo na violência doméstica, especialmente em contextos de pós-conflito, quando militares retornam às suas comunidades, e como essas experiências podem contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficazes.
Outra mesa tratará da legislação brasileira sobre armas de fogo. Segundo Lorena Barberia, o debate abordará iniciativas voltadas ao aprimoramento da qualidade dos dados sobre posse e registro de armas, estratégias de responsabilização da indústria armamentista e os impactos da violência armada sobre o sistema de saúde.
O evento também será transmitido ao vivo pelo canal no youtube do IEA : https://www.youtube.com/@iea-usp
Jornal da USP no Ar
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