Em um evento que lotou o Salão Nobre, realizado no dia 21 de julho, a cantora e compositora Marisa Monte recebeu uma homenagem na Faculdade de Direito (FD) da USP. O encontro, que teve como tema “Arte, Direito e Cultura: reflexão, desafios e perspectivas” marcou a abertura das atividades para as comemorações do Bicentenário da Faculdade e contou com a participação do reitor da USP, Aluisio Segurado; da diretora da FD, Ana Elisa Bechara; do superintendente de Relações Institucionais da USP e professor da Faculdade, Heleno Torres; e da professora da Faculdade de Medicina (FM), Ludhmila Hajjar.
Com uma relação muito especial com a USP, Marisa é, desde 2022, embaixadora do USP Diversa, programa de doações voltado para o financiamento de bolsas de permanência estudantil para estudantes em condições de vulnerabilidade socioeconômica. Além disso, em julho de 2023, criou o Espaço Imaginário Marisa Monte, no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas, onde estão disponíveis instrumentos musicais, uma televisão, materiais para desenho e livros doados por diversas editoras para oferecer aos pacientes conforto emocional durante os períodos de internação no hospital. Em dezembro de 2023, o Conselho Universitário aprovou a outorga do título de Doutora Honoris Causa à artista. Em 2024, em comemoração aos 90 anos da USP, Marisa fez um show na Praça do Relógio, no campus da USP em São Paulo, que reuniu quase 60 mil pessoas.
“Ao dar início às celebrações dos 200 anos do curso de direito no Brasil, dialogando justamente com Marisa Monte, reafirmamos uma convicção que acompanha a história das Arcadas. O direito jamais alcança plenamente sua vocação quando se distancia da cultura. De fato, se o direito organiza a vida em sociedade, é a cultura que lhe oferece horizontes. Se o direito protege os direitos e liberdades, a arte nos lembra porque esses valores importam. Finalmente, se o direito estabelece limites ao poder, é a cultura que preserva aquilo que impede que o poder deixe de enxergar a humanidade das pessoas sobre as quais ele atua. Por isso, não existe ciência sem cultura. E não existe cultura verdadeiramente livre onde a democracia é ameaçada”, afirmou a diretora da FD, na abertura do evento.
Ana Elisa destacou que “a Faculdade de Direito sempre compreendeu que a formação jurídica não pode se limitar à técnica. O direito quando perde contato com a literatura, com a filosofia, com a música, com a arte, com todos os palcos de criação humana, ele corre o risco de esquecer aquilo que lhe dá sentido. Se a técnica organiza, a cultura humaniza. E o Direito precisa das duas, técnica e cultura. Por isso, a essência da formação jurídica deve ser humanista. E esse talvez seja um dos maiores desafios das Faculdades de Direito da nossa sociedade no século 21”.








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