quinta-feira, agosto 6, 2026
Poder academico
  • Home
  • Geral
  • Economia
  • Educação
  • Justiça
  • Política
No Result
View All Result
  • Home
  • Geral
  • Economia
  • Educação
  • Justiça
  • Política
No Result
View All Result
Poder academico
No Result
View All Result
Home Mundo Acadêmico

O calor na Europa e a pergunta que falta no debate sobre o ar-condicionado – Jornal da USP

redacao by redacao
31/07/2026
in Mundo Acadêmico
0 0
0
O calor na Europa e a pergunta que falta no debate sobre o ar-condicionado – Jornal da USP
0
SHARES
0
VIEWS
Share on FacebookShare on Twitter


Por Elaine Santos, pós-doutora pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP

Nas últimas semanas, a Europa vive uma onda de calor histórica e, enquanto escrevo este texto, tenho um miniventilador à minha frente, ligado durante quase todo o dia, uma presença que passou a fazer parte da rotina deste verão, marcado por ondas de calor que encontraram muitas casas, cidades e infraestruturas europeias despreparadas.

Com os termômetros ultrapassando os 40 graus em diferentes regiões, cidades reforçaram alertas de saúde, escolas e trabalhadores precisaram de se adaptar e populações vulneráveis voltaram a enfrentar os riscos associados a episódios prolongados de calor extremo. Na Alemanha, as temperaturas elevadas provocaram danos em estradas e linhas ferroviárias, afetando viagens de longo curso, enquanto Portugal, Espanha, França e Itália estiveram entre os países mais atingidos.

Em 28 de junho, a Organização Mundial da Saúde alertou para a estimativa de mais de 1.300 mortes associadas às altas temperaturas registradas na Europa desde o dia 21 daquele mês e voltou a sublinhar que o continente aquece a um ritmo cerca de duas vezes superior à média global. Nas semanas seguintes, novas estimativas apontaram um quadro ainda mais grave em partes da Europa Ocidental, que também atravessou um dos meses de junho mais quentes já registrados.

Foi nesse contexto que o ar-condicionado passou a ser um tema quente ocupando espaço na disputa política. Na França, Marine Le Pen defendeu a instalação de aparelhos de ar-condicionado em larga escala pelo país, começando por hospitais, asilos e escolas, e atribuiu a resistência a essa expansão a um tabu ideológico da esquerda que, para ela, já deveria ter sido superado depois da onda de calor de 2003, que matou cerca de 14.800 pessoas no país. Em resposta, Marine Tondelier, dos Ecologistas, e Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, acusaram a extrema-direita de explorar politicamente uma pauta que ignorou por anos, e alertaram para o aumento de emissões que a multiplicação de aparelhos traria. Tondelier rejeitou, inclusive, a ideia de que seu partido fosse contrário ao ar-condicionado e propôs medidas voltadas à proteção de trabalhadores expostos ao calor extremo.

Enquanto os partidos discutiam o tema, o que vimos circular pelas redes sociais foi uma corrida dos consumidores para comprar aparelhos portáteis de ar-condicionado e ventiladores, porque o calor se tornou insuportável para muita gente. Porém, o que me chamou atenção foi outra coisa; em nenhum desses discursos apareceu a pergunta sobre a origem dos componentes que tornariam essa expansão possível.

Até agora, parte significativa da discussão pública permanece concentrada, compreensivelmente, na energia necessária para fazer funcionar os equipamentos, nas emissões associadas, na pressão sobre as redes e, em algumas cidades, nas próprias regras urbanísticas para a instalação de aparelhos que alteram fachadas e espaços exteriores.

Só que, antes de consumir eletricidade, um aparelho de ar-condicionado precisa ser produzido.

Um relatório do Lawrence Berkeley National Laboratory (LBNL) de junho de 2025 sobre a cadeia de suprimentos global de aparelhos residenciais de ar-condicionado mostra que sua produção depende de materiais como aço, cobre e alumínio, utilizados em motores, compressores, trocadores de calor e outros componentes. Nos equipamentos mais eficientes, os motores de ímãs permanentes usados em compressores de velocidade variável também dependem de elementos de terras raras como o neodímio e o disprósio. Já os componentes eletrônicos incorporam semicondutores e outros materiais que podem empregar elementos como gálio, germânio e paládio.

A expansão da refrigeração também depende de uma cadeia produtiva que está bastante concentrada. Em 2021, a China produziu cerca de 155 milhões de aparelhos de ar-condicionado residenciais, o equivalente a aproximadamente 82% das 189 milhões de unidades fabricadas globalmente. O mesmo relatório mostra a forte presença de fabricantes chineses no fornecimento de componentes utilizados por empresas de diferentes países.

A concentração continua quando seguimos a cadeia até a origem dos materiais: a China ocupa posição dominante tanto na mineração quanto no processamento de terras raras e em outras etapas estratégicas dessas cadeias, enquanto parte importante da produção mundial de minerais como cobalto e cobre também se concentra em poucos países. Essa estrutura teve consequências em abril de 2025: com a escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China, Pequim impôs restrições à exportação de sete elementos de terras raras, incluindo térbio e disprósio, exigindo licenças especiais para materiais dos quais controla a maior parte do refino global. Decisões tomadas a milhares de quilômetros de qualquer verão europeu ajudam a definir custos, disponibilidade de componentes e o ritmo de expansão das tecnologias que hoje discutimos.

Esse tema chama atenção na Europa porque a demanda por matérias-primas críticas cresce ao mesmo tempo que novos projetos de mineração enfrentam resistência social e territorial. A meu ver, a tensão não está na existência dessas resistências, que respondem a conflitos reais, mas na dificuldade de discutir simultaneamente as tecnologias que desejamos ampliar e os materiais necessários para produzi-las.

A expansão da climatização não acontece isoladamente, porque os mesmos materiais necessários para fabricar aparelhos de ar-condicionado são disputados por veículos elétricos, redes de transmissão, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e inúmeras outras tecnologias. O continente discute a expansão de tecnologias sem colocar no mesmo plano a extração dos materiais necessários para produzi-las. Na prática, boa parte dessa extração, assim como suas consequências, continua ocorrendo fora das fronteiras europeias: na República Democrática do Congo, no Chile, na Argentina…

Talvez seja essa a pergunta que ainda falta no debate europeu sobre o ar-condicionado. Se as temperaturas extremas levarem à multiplicação dos sistemas de refrigeração, de onde virão os materiais necessários para produzi-los? E até quando será possível discutir e politizar as tecnologias que queremos sem discutir, ao mesmo tempo, as minas das quais elas dependem?

________________
(As opiniões expressas nos artigos publicados no Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem posições institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetros editoriais para artigos de opinião.)



Fonte https://jornal.usp.br/articulistas/elaine-santos/o-calor-na-europa-e-a-pergunta-que-falta-no-debate-sobre-o-ar-condicionado/

Previous Post

Mega-Sena acumula e próximo prêmio está estimado em R$ 100 milhões

Next Post

Saiba como a urna eletrônica garante a soberania do voto

redacao

redacao

Next Post
Saiba como a urna eletrônica garante a soberania do voto

Saiba como a urna eletrônica garante a soberania do voto

Stay Connected test

  • 23.9k Followers
  • 99 Subscribers
  • Trending
  • Comments
  • Latest
Mega-Sena sorteia prêmio acumulado em R$ 45 milhões neste sábado

Mega-Sena sorteia prêmio acumulado em R$ 45 milhões neste sábado

11/05/2026
Dono de Porsche que matou motorista de app em SP vai a júri popular

Dono de Porsche que matou motorista de app em SP vai a júri popular

11/05/2026

Auto Draft

12/05/2026
Governo promete reverter veto da UE a carnes e animais brasileiros

Governo promete reverter veto da UE a carnes e animais brasileiros

12/05/2026
Dono de Porsche que matou motorista de app em SP vai a júri popular

Dono de Porsche que matou motorista de app em SP vai a júri popular

0
São Paulo tem a menor temperatura do ano nesta madrugada

São Paulo tem a menor temperatura do ano nesta madrugada

0
Cesta básica fica mais cara em todas as capitais no mês de abril

Cesta básica fica mais cara em todas as capitais no mês de abril

0
Embraer firma parceria com metalúrgica indiana 

Embraer firma parceria com metalúrgica indiana 

0
Durigan diz que aumento da dívida decorre dos juros, não dos gastos

Durigan diz que aumento da dívida decorre dos juros, não dos gastos

06/08/2026
Enade: prazo de recurso para atendimento especial termina nesta sexta

Enade: prazo de recurso para atendimento especial termina nesta sexta

06/08/2026
Justiças Eleitoral e do Trabalho lançam campanha contra assédio

Justiças Eleitoral e do Trabalho lançam campanha contra assédio

06/08/2026
Sexo 60+: um guia para o prazer sem data de validade

Sexo 60+: um guia para o prazer sem data de validade

06/08/2026

Recent News

Durigan diz que aumento da dívida decorre dos juros, não dos gastos

Durigan diz que aumento da dívida decorre dos juros, não dos gastos

06/08/2026
Enade: prazo de recurso para atendimento especial termina nesta sexta

Enade: prazo de recurso para atendimento especial termina nesta sexta

06/08/2026
Justiças Eleitoral e do Trabalho lançam campanha contra assédio

Justiças Eleitoral e do Trabalho lançam campanha contra assédio

06/08/2026
Sexo 60+: um guia para o prazer sem data de validade

Sexo 60+: um guia para o prazer sem data de validade

06/08/2026
Poder academico

  • Poder academico

© 2026 Poder Academico

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In
No Result
View All Result
  • Home
  • Geral
  • Economia
  • Educação
  • Justiça
  • Política

© 2026 Poder Academico