O futuro projetado pelos pesquisadores não é feito de soluções simples nem de certezas absolutas. O efeito do dióxido de carbono pode beneficiar determinada cultura e, ao mesmo tempo, agravar o aquecimento do planeta. Uma tecnologia capaz de elevar a produtividade pode aumentar emissões se não vier acompanhada de manejo adequado. A irrigação pode reduzir perdas, mas ampliar conflitos pelo uso da água. Um algoritmo pode prever riscos, mas também reproduzir erros se trabalhar com dados incompletos.
O avanço científico dependerá, cada vez mais, da capacidade de compreender essas relações e de reconhecer que os desafios da agricultura contemporânea são, por natureza, interdependentes.
Em 1901, os primeiros estudantes da Esalq aprenderam a observar a terra, as plantas, os animais e as estações do ano. Em 2026, seus sucessores continuam fazendo o mesmo, agora acompanhados por satélites, sensores, modelos climáticos e inteligência artificial.
Para a professora Aline Cesar, presidente da Comissão de Pesquisa e Inovação, essa evolução não alterou a essência do trabalho científico. “A pesquisa básica e a aplicação prática caminham juntas. Nós começamos por entender os mecanismos fundamentais da natureza, como genes, microrganismos, plantas, animais e alimentos, e então transformamos esse conhecimento em soluções que podem ser utilizadas pela sociedade, pelo setor produtivo e pelos formuladores de políticas públicas.”
As ferramentas mudaram. A pergunta continua a mesma: como compreender melhor a natureza para produzir conhecimento capaz de melhorar a vida das pessoas. É nessa busca permanente que a ciência da Esalq continua construindo respostas para um mundo em transformação.
Fonte https://jornal.usp.br/universidade/o-futuro-comecou-no-campo/




