A Expedição Cirúrgica da Faculdade de Medicina faz cerca de 250 cirurgias, 160 inserções de DIU e mais de 700 ultrassonografias após triagem realizada em março
Por Elcio Silva
A Faculdade de Medicina (FM) da USP criou em 2013 a Expedição Cirúrgica, projeto de extensão universitária que tem como objetivo oferecer atendimento cirúrgico de excelência em regiões remotas do Brasil, aliado a uma experiência prática de formação médica, social e humanitária de seus estudantes. Com apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP desde 2025, tem periodicidade anual e em 2026 desembarcou no dia 26 de junho pela primeira vez no Norte do país, na cidade de Castanhal, no estado do Pará, região metropolitana de Belém. A equipe multidisciplinar, composta por cerca de 100 voluntários, fica na cidade até 5 de julho.

Idealizada e coordenada pelo médico ginecologista e professor Maurício Abrão, da FM, com a missão de levar saúde e acesso à cirurgia minimamente invasiva a populações em situação de vulnerabilidade, é baseado no tripé do Ensino, com a formação de médicos e profissionais; da Assistência, nas áreas de ginecologia, anestesiologia, radiologia, cirurgia do aparelho digestivo, dermatologia, patologia e pela primeira vez ortopedia; e da Pesquisa a partir da difusão de conhecimento, iniciação científica e ao acesso à saúde.
“A expedição cirúrgica foi uma iniciativa que sempre mirou na perspectiva de levar assistência, saúde a sítios remotos do Brasil com qualidade e um desejo absoluto de deixar um legado não só na região, mas um legado para pacientes locais e futuras que pudessem ser atendidas. E também para os alunos da Medicina e para nós mesmos que apoiamos e coordenamos com tanto afinco essa atividade”, destaca Abrão.

Para o pró-reitor de extensão universitária da USP, Amâncio Jorge de Oliveira, a iniciativa representa o que há de melhor no papel da Universidade para com a sociedade. “É um projeto de extensão de excelência na medida em que ele promove o que é a missão da Universidade, ou seja, a pesquisa, a formação e a extensão.” Para ele, ao mobilizar docentes e estudantes para regiões remotas do país que não tem a mesma infraestrutura, “tem um caráter importante para a formação, não só da prática cirúrgica em si, mas de todo o contexto e o ambiente social distinto de São Paulo, além do contato com a população que promove um uma formação também em extensão”.

O coordenador revela que o processo para a escolha de cada cidade é contínuo e se inicia praticamente após o final da expedição de cada ano. “É uma construção que dura aproximadamente 12 meses. Selecionamos as cidades candidatas para a atividade, que tem perfis específicos de número de habitantes e de um hospital para levarmos cirurgia minimamente invasiva e tudo o que envolve: a indicação do procedimento, exame pré-operatório e a própria triagem das pacientes a serem submetidas à cirurgia.”
A expedição chega ao Pará
Em 2025 a iniciativa foi procurada pela vice-prefeita de Castanhal, Mylene Costa, que também é médica especializada em anestesiologia, juntamente com a equipe da Secretaria de Saúde da cidade. Em janeiro de 2026 foi realizada uma visita técnica para avaliação da viabilidade estrutural e logística e para assinatura do contrato com a prefeitura. Nos dias 28 e 29 de março foi realizada uma triagem com 791 atendimentos entre consultas e exames de ultrassonografia para a seleção.
Mylene Costa destacou nas redes sociais a relevância de receber um projeto desta magnitude como “motivo de orgulho, gratidão e, acima de tudo, de compromisso com uma saúde pública cada vez mais qualificada. É uma honra estar ao lado de Maurício Abrão, fundador da Expedição Cirúrgica, cuja trajetória inspira pelo compromisso com a assistência, o ensino e a transformação de vidas. Castanhal só tem a ganhar com esses profissionais extremamente qualificados, trabalhando em prol da saúde da nossa população durante essa semana”.

A Expedição Cirúrgica realiza 47 cirurgias ginecológicas, 43 do aparelho digestivo e 160 dermatológicas, além de cerca de 160 inserções de DIU e mais de 700 exames de ultrassonografia.

A equipe multidisciplinar é composta por cerca de 100 voluntários, entre eles 30 estudantes da FM, 14 anestesiologistas, 13 ginecologistas, quatro dermatologistas, um ortopedista, oito cirurgiões do aparelho digestivo, sete profissionais de comunicação entre marketing, fotógrafos e cinegrafistas. E também cinco representantes de empresas de equipamentos médicos que apoiam a iniciativa, um tecnólogo de sistemas biomédicos, nove radiologistas, duas enfermeiras da Central de Material e Esterilização e duas instrumentadoras. Além da equipe, contou com a presença da professora Márcia Couto, do Departamento de Medicina Preventiva da FM, que visitou pela primeira vez a Expedição Cirúrgica com o propósito de pensar no desenvolvimento da área de pesquisa do projeto de extensão.
Ao longo de 13 anos de atuação visitou 11 cidades do país, parando somente durante a pandemia de covid-19, em 2020 e 2021. Foram elas Coxim (MS) em 2013 e 2018, Nova Andradina (MS) em 2014, Pedra Azul (MG) em 2015, Bandeirantes (PR) em 2016, Goierê (PR) em 2017, São Gabriel do Oeste (MS) em 2019, Bariri (SP) em 2022, Barra do Garças (MT) em 2023, Guarantã do Norte (MT) em 2024, Crateús (CE) em 2025 e Castanhal (PA) em 2026. Foram realizados mais de seis mil atendimentos que representaram o fim da fila de espera em ultrassonografia em nove cidades, de acordo com a coordenação da Expedição Cirúrgica.
Mais informações em expedicaocirurgica.com.br.
A reportagem contou com a colaboração local da estudante de Medicina Camille Pacheco, diretora de marketing da Expedição Cirúrgica.
Fonte https://jornal.usp.br/cadernodecultura/projeto-de-extensao-da-usp-desembarca-no-para/





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