Além do dossiê, a nova edição da Revista USP traz outras três seções, intituladas Textos, Arte e Livros.
Na seção Textos encontra-se a tradução inédita de um ensaio do professor da Universidade de Kobe, no Japão, Yuho Hisayama, feita por Matheus Guménin Barreto e Eliana Takara. O texto foi apresentado durante uma palestra do professor japonês na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, realizada em março do ano passado. Nele, Hisayama compara a poesia do alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) e o haicai do poeta japonês Matsuo Bashô (1644-1694).
Na mesma seção, a professora Élide Valarini Oliver, que leciona Literatura Brasileira e Comparada na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, faz considerações sobre a crônica Brasília, de Clarice Lispector. Outro texto que compõe a seção é Ao Meio-Dia, com Sophia, Fui Feliz em que o professor Marcos Lopes, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), analisa os poemas da portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004).
Na seção Arte, a crítica de arte, curadora e pesquisadora Alecsandra Matias de Oliveira publica o artigo Me Gritaron Negra: a Reviravolta da Arte Afro-Latina – título que faz referência a um poema da peruana Victoria Santa Cruz (1922-2014), de 1960, considerado um poema-manifesto contra o racismo. Nele, Alecsandra Oliveira critica a concepção colonialista da “identidade latino-americana”, que não comporta, segundo ela, questões de gênero, etnia e raça. “A ‘invenção’ da América Latina sob a égide do imperialismo europeu e o projeto de modernidade das elites mestiças forjaram a necessidade de construção de ‘uma identidade latino-americana’. No fundo, um exercício de exclusão, cercado de parâmetros extrínsecos, orientados por realidades estrangeiras”, escreve.
Alecsandra destaca a atuação no continente de mulheres negras artistas, que atuam como uma forma de resistência a essa conceituação colonialista de identidade latino-americana – entre elas, a brasileira Rosana Paulino, a colombiana Doris Salcedo e a haitiana Myrlande Constant. “O diálogo dessas artistas apresenta, sobretudo, a possibilidade de reflexões e de ativação de redes colaborativas entre artistas que agem a partir de discursos ancestrais e plurais”, conclui a crítica de arte. “No recorte selecionado para este artigo, as artistas, mulheres e negras, têm seus repertórios ligados à subjetividade, ao feminino e à colonialidade. Elas são questionadoras, incômodas, reviram conceitos. Tomam para si temas e linguagens que expressam suas vidas e, simultaneamente, realidades plurais. Seus trabalhos mostram que as demandas das mulheres são, de fato, singulares para aquelas vindas da diáspora.”
Já a seção Livros traz um artigo do pesquisador Fernando Breda, doutorando na FFLCH, sobre o ensaio recém-lançado do professor Jean Pierre Chauvin, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, intitulado Pauliceia Bandeirante ou A Fabricação do Pré-Modernismo. “Chauvin propõe um olhar ao objeto literário menos preocupado em formular periodizações ancoradas em supostas rupturas e continuidades do que pensar o lugar social da instituição literatura e, especialmente, o ‘efetivo alcance social das manifestações artísticas num País de não leitores, de não frequentadores de museus’”, escreve Breda.
Revista USP, número 149, dossiê Tempos e Espaços de Formação, Superintendência de Comunicação Social (SCS) da USP, 180 páginas
* Estagiária sob supervisão de Marcello Rollemberg e Roberto C. G. Castro
Fonte https://jornal.usp.br/cultura/revista-usp-questiona-os-tempos-e-os-espacos-da-educacao/







